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12:49 PM

Apesar de estar em estado melhor do que o Judeu, era visível que o Anarquista havia se ferido bastante na luta. O rosto estava meio desfigurado e ele respirava com dificuldade. Algum sangue insistia em sair de sua boca e do rosto ferido.

Antes de mais nada, é preciso dizer que lutas entre membros da Ordem não são muito comuns. Elas se restringem a momentos muito específicos, pois a chance de ambos adversários morrerem é grande. Além do mais, a maioria das Ordens é de índole pacífica, apesar de todos os membros, de uma forma ou de outra aprenderem técnicas de batalha, como as técnicas especiais que o Judeu e o Anarquista usaram.

Ajudei o Anarquista a manter-se de pé. Tinha sido, talvez a luta mais incrível que eu já tinha visto. Pouquíssimos sobrevivem a um ataque especial. Enquanto eu o amparava, os alunos se puseram em fila, em nossa frente, a mando do Professor. A um comando, todos nos cumprimentaram, curvando-se levemente.

– Salve o Grande ENNF, salve o Grande Guerreiro Anarquista.

Com uma voz afetada e gutural, o Anarquista respondeu:

– Que a paz esteja convosco – E me pediu para levá-lo aos aposentos do Mestre. Antes disso eu respondi: – que a tranqüilidade esteja convosco, paz e bem...

Os aposentos do mestre ficavam no mesmo andar da academia, na porta em frente. O Judeu, embora ferido, abriu a porta, seguido pelo Professor. A sala era lindamente decorada, com o teto de vidro que formava uma estufa. No centro havia uma profusão de flores: tulipas, margaridas, begônias, orquídeas e várias outras, cercadas por uma cachoeira artificial, que sempre estava ligada. Também haviam bonsais, e pequenas árvores: pimenteiras, algodoeiros e oliveiras. Logo após, havia uma grande mesa, de cedro, sobre a qual descansava um retrato imenso, a óleo, do Mestre. As paredes eram ricamente decoradas de vermelho, e as colunas angulosas eram folheadas a ouro. Grandes quadros com dizeres em japonês, alemão, francês, português e hebraico, com molduras de folheadas a ouro e prata enfeitavam as paredes. Algumas trepadeiras subiam pelas paredes, chegando ao teto.

Porém, o detalhe mais imponente da decoração era a grandiosa armadura samurai vermelha que descansava ajoelhada, num os cantos da sala. O metal vermelho reluzente contrastava com o vermelho da sala, num espetáculo de cores. Era uma linda sala para um grande mestre.

Na mão direita, com dificuldade, o Guerreiro Anarquista trazia a Espada do Guerreiro. Ele desvencilhou-se de mim e caminhou, com a Espada na mão e colocou-a nas mãos da armadura, que estavam erguidas, como a esperar por este ato.

Voltar àquela sala me trazia muitas lembranças. O professor e o Judeu se despediram. Aproveitei para me retirar também, pois achava que minha presença não era mais necessária. Neste momento, o Anarquista retrucou:

– Espere Poeta, precisamos conversar.

– Não creio que minha presença ainda seja necessária, Guerreiro. Você precisa descansar.

– Sim, mas antes eu preciso saber como você se tornou ENNF. Sente-se.

– Sim, Anarquista, é Justo. É o que farei, mas prepare-se, a história é bem comprida...


Rabiscado por Poeta Matemático



*Esse layout é uma criação exclusiva de Bruno Maximus*