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8:34 PM
(No último post o ajudante do mestre, conhecido como Judeu, desafiou o Guerreiro Anarquista para uma batalha) O clima ficou muito tenso no tatame. Os alunos se afastaram do Anarquista, muitos com ferimentos leves e escoriações. O Anarquista estava arfante, mas não parecia ter sofrido nenhum ferimento.
- Isso vai ser muito interessante, não é mesmo? – Era o professor ao meu lado quem dizia.
- Faz já oito anos, não é Jairo? – Disse eu sorridente. Eu sempre simpatizei com ele, principalmente na época em que era um daqueles garotos, que agora estavam atacando o Anarquista. Quando eu me tornei ENNF, ele estava lá, me dando forças. Era um bom homem e sabia fazer muito bem o seu trabalho. Eu nunca soube sua história, sabia apenas que Jairo era um homem que sempre esteve próximo do Mestre.
- E aí, quer fazer alguma aposta? – Nesse momento, eu desviei minha atenção para os dois lutadores. O Anarquista tinha re-arrumado o seu quimono e agora estava cumprimentando o Judeu, que estava muito elegante com sua roupa negra. Jamais havia visto ele lutar, e o Anarquista eu já não via há mais de oito anos.
- Não dou prognósticos. Um ENNF deve ficar sempre “em cima do muro”, não é mesmo? – disse isso sorridente.
- É verdade. – depois disso olhou em torno e me disse - Veja como todos lhe olham, ENNF. Eles estão curiosos pois sempre contamos histórias dos ENNF’s passados e seus grandes feitos.
- Tomara que eu esteja em condições de me comparar a eles, velho. – depois disso, emendei – Vamos observar a luta.
Depois dos cumprimentos de praxe, ambos ficaram em posição de defesa, com a base alta e com as pernas levemente abertas e flexionadas. O Anarquista saltitava, enquanto o Judeu mantinha-se imóvel. Ambos estavam bem no centro do tatame.
O Anarquista começou a rodear o Judeu, que se limitava a girar em torno da perna esquerda, mantendo o Anarquista sempre em sua frente. Depois de alguns segundos, o Anarquista parou, mantendo a guarda, exatamente na mesma posição do Judeu.
O silêncio era absoluto. Os alunos observavam muito interessados todos os movimentos, curiosos pela situação inusitada. Alguns deles massageavam as partes do corpo que tinham sido feridas pelos golpes do Anarquista. Um deles sangrava pelo nariz e era ajudado por um colega.
Neste momento, ambos começaram a se movimentar. O Anarquista e o Judeu bailavam sobre o tatame, num ritmo cadenciado. O som dos seus pés podia ser ouvido como tambores que ditavam o ritmo da dança. Um se aproximava e o outro, recuava. Os dois adversários se observavam muito, mediam as próprias forças.
De repente, o primeiro soco e a ele foram seguidos vários outros golpes. O barulho deles sendo defendidos se misturou ao barulho dos pés que bailavam. Eles se moviam muito rápido, os socos e chutes se misturavam, mas nenhum dos golpes se encaixava. A luta estava muito equilibrada.
Então, veio o primeiro soco, que acertou o Anarquista na boca do estômago. A dor o fez baixar a guarda e, por isso, ele recebeu mais dois golpes certeiros, um gancho no rosto e um chute na barriga, jogando-o para longe.
Pudemos ouvir o grito de dor do Anarquista quando ele bateu numa das paredes. O Judeu correu em direção a ele, para acertar um golpe certeiro. O Anarquista manteve-se deitado. O Judeu pulou, para chutá-lo ainda deitado. O Anarquista desviou-se e, aproveitando uma abertura do Judeu acertou um chute em seu rosto, abrindo o supercílio. Ele recuou alguns passos e o Anarquista preparou um golpe lindo, um chute voador rodado, muito potente.
O golpe ia acertar o Judeu com toda a força, mas ele defendeu com o antebraço, usando a outra mão para puxá-lo pela perna, derrubando-o e preparando um novo soco, na boca do estômago. Mas o Anarquista anteviu o golpe e deu uma chave de braço, mantendo o Judeu imobilizado.
A chave é um golpe muito difícil de sair, em condições normais, mas com a outra mão, o Judeu acertou um golpe no Anarquista, nos testículos, fazendo-o gemer de dor e soltá-lo. Ainda no chão, o Judeu acertou diversos chutes nas costelas do Anarquista, que parecia derrotado. Os chutes se multiplicaram e o Anarquista tentava se defender, sem sucesso. Mais uma vez o Judeu tentou dar um soco no estômago do Anarquista, que conseguiu finalmente se livrar e ficar de pé.
Sem dar chance para que ele se recompuzesse, o Judeu correu em direção ao Anarquista, que recuava. Fez isso até encontrar uma parede. O Judeu preparou um soco, que, após um desvio do Anarquista, acertou a parede, quebrando o reboco e os tijolos. O Anarquista aproveitou-se disse e emendou uma série de bons golpes, socos e chutes que acertaram o Judeu, terminando num grande chute, que fez com que ele fosse arremessado contra a parede, gritando de dor.
A série de golpes havia ferido bastante ambos lutadores. O supercílio do Judeu sangrava e o Anarquista respirava com dificuldades devido aos chutes nas costelas. Seu olho direito estava roxo e o lábio inchado.
O Judeu tirou a parte de cima do quimono, sendo imitado pelo Anarquista, e levantou-se. Depois disso, ele disse:
- Muito bom, garoto franzino. Foi um bom aquecimento. Vamos ver do que você é capaz.- Eu olhei para o professor, preocupado, olhar este que foi correspondido. Isso significava que ele ia usar alguma técnica especial.
O Judeu fechou os olhos e concentrou-se, juntando ambas as mãos, como numa prece. Depois disso, abriu os olhos, mirou o Anarquista e correu em sua direção, enquanto gritava:
- TESOURO DE SALOMÃO!!!
Era um golpe muito potente e surpreendente. O Judeu acertou o Anarquista, com ambas as mãos, no peito, jogando-o na parede, de uma distância de mais de sete metros. O Anarquista bateu secamente na parede, derrubando o reboco e fazendo uma rachadura. Saiu bastante sangue da boca do Anarquista, que tossia.
Surpreendentemente, ele sorriu e disse:
- Tava na hora disso ficar interessante. Deixe-me mostrar se eu aprendi direito o seu golpe. – disse isso e imitou exatamente os movimentos do Judeu, antes de dizer – TESOURO DE SALOMÃO!!!!
Ele acertou o mesmo golpe no Judeu, que também foi arremessado longe, batendo na outra parede e gritando de dor.
Visivelmente ferido, o Anarquista disse, sarcástico:
– Eu agüentei a sua técnica. Será que você agüenta a minha?
Disse isso e preparou sua técnica especial. Manteve-se quieto por alguns segundos, se concentrando. Repentinamente, correu em direção ao Judeu, dizendo:
– BALADA DO ANARQUISTA!!!!!!!
O golpe consistia de um chute duplo, que estava prestes a acertar o Judeu, quando este disse:
– Pare! Você venceu, Anarquista.
Dito isso, o Anarquista parou, ajudou o Judeu a levantar-se e disse:
– Que a paz esteja contigo.
– E contigo também...
(continua...)
Rabiscado por Poeta Matemático
*Esse
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